REGISTRO PROFISSIONAL
NA MÍDIA COMUNITÁRIA
Trabalhar a democratização da informação como necessidade de estado - e não política de governo - incentivando os formadores de opinião nos jornais dos municípios a resgatarem sua auto-estima e dignidade e a terem direito a identidade profissional e a estudo, esta a proposta do recém-fundado IPEIA - Instituto de Pesquisas e estudos da Imprensa Alternativa, com sede no Rio, mas que, segundo o seu presidente Carlos Arthur Pitombeira tem abrangência nacional.
Ele acha que o governo deve garantir ensino profissionalizante e uma base melhor de
educação e cultura às pessoas que fazem jornais, revistas e levam informação pelo rádio às regiões mais distantes. “Lá pode até não haver escola- explica - mas sempre há um meio de comunicação com o povo, cujo conteúdo poderia expressar o pensamento de uma sociedade localizada e ser decisivo na inclusão social e na distribuição de renda. É essa gente que o IPEIA quer ver organizada em classe trabalhadora com o registro de Técnico em Comunicação Comunitária.
No seminário promovido em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, estado do Rio de Janeiro, foram repassados os problemas da mídia alternativa naquela região reconhecida pela força econômica e política de seus 13 municípios onde se concentram cerca de 5.000.000 de habitantes, centenas de jornais e rádios comunitárias, mas não se vê uma faculdade de comunicação social. “Viu-se ali -observou Carlos Arthur Pitombeira a necessidade de uma atenção especial para o problema, porquanto estávamos diante de uma realidade: cidades sem jornalistas onde a mídia alternativa era representativa e poderia render muito mais para a sociedade se os seus agentes fôssem especializados, independentemente do nível superior.
É assim, debatendo com a sociedade que o IPEIA, segundo seu presidente, espera conscientizar o povo da importância em se democratizar a informação para que se ampliem no país os conceitos de cidadania e direitos humanos e se possa promover a inclusão social e trabalhar a distribuição de renda.
Pitombeira reconhece que o desafio é grande. “Mas ao mesmo tempo é estimulante”-diz. Neste primeiro mandato da atual diretoria, até 11 de setembro de 2009, quem quiser fazer parte do quadro social do IPEIA não pagará mensalidade. E ele explica a razão:
- Temos um objetivo claro e dele não queremos nos afastar: estudar a mídia, oferecendo aos legisladores subsídios para que possam ser editadas leis estimulando a educação e a cultura e incentivando a informação plural. E direitos iguais aos assegurados a grande imprensa, como por exemplo, o de contar com recursos do capital estrangeiro nas condições estabelecidas no Artº 222 da Constituição Federal e na Lei 10.610, de 20 de dezembro. Quem se propuser a isto que venha somar conosco. As despesas do IPEIA até 2009 os dirigentes acreditam poder pagar com patrocínios de seminários e a venda de serviços e produtos produzidos por seus associados, como um DVD sobre a mídia alternativa já à venda por R$ 10,00, material que consideram imprescindível para qualquer biblioteca pública, prefeituras e as comunidades, para que elas conheçam a realidade do país nesse setor.
- O IPEIA não é uma aventura - acentua Pitombeira. Da mesma forma que pode organizar cursos de extensão jornalística, incluindo rádio e televisão, pode também estender às periferias o debate sobre temas relevantes e totalmente desconhecidos pelo povo, como é o caso da TV pública.
O Instituto de Pesquisas e Estudos da Imprensa Alternativa vai trabalhar para que a lei de radiodifusão comunitária seja municipalizada; quer mostrar o que há de verdadeiro e falso no processo de digitalização do rádio e da televisão e, finalmente, quer rediscutir com as autoridades, os jornais e as rádios comunitárias, dando maior transparência ao processo, o sistema atual de licitação para a compra, pelas prefeituras, dos espaços na mídia de cada cidade para a veiculação das matérias oficiais pagas com recursos público.
O presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos da Imprensa Alternativa é jornalista profissional há 43 anos. Passou pela redação dos jornais e emissoras de rádio mais tradicionais da cidade do Rio de Janeiro. Trabalhou em Assessorias de Imprensa de órgãos públicos e privados. É fundador e ainda edita o JBJ- Jornal da Barra e Jacarepaguá, cuja primeira edição foi lançada em abril de 1972. Foi diretor-secretário da Associação Brasileira de Imprensa, (ABI) instituição da qual, hoje, é hoje um de seus Conselheiros.
CGTB/RJ e FASP/RJ se reúnem com IPEIA
para debater mídia alternativa
O jornalista Milton Coelho da Graça foi o convidado do IPEIA – Instituto de Pesquisas e Estudos da Imprensa Alternativa para debater com líderes sindicais do serviço público e da iniciativa privada sobre a democratização da mídia. O encontro com representantes da CGTB/RJ - Central Geral dos Trabalhadores no estado do Rio de Janeiro e da FASP/RJ – Federação das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos no estado do Rio de Janeiro foi no auditório da Rua Senhor dos Passos, 241 – sobrado, centro do Rio. Milton Coelho da Graça mostrou –se surpreso com o fato das Confederações, Federações e Centrais Sindicais não terem organizados canais de comunicação (jornais, rádios, televisão e Internet) de forma atrativa, falando entre si, para o patronato e a sociedade como forma de se contrapor as opiniões dos trabalhadores que na grande mídia são colocadas do ponto de vista que interessa apenas a um lado. Liberdade de Imprensa Direitos Humanos e Ética nos Meios de Comunicação foram temas também abordados no encontro.
Para o presidente do IPEIA, jornalista Carlos Arthur Pitombeira (na foto, à esquerda, ladeado de Marcos Vinícius e Milton Coelho da Graça), a instituição vem cumprindo o seu papel de ampliar o debate sobre a pluralização da informação, mostrando o quanto é nociva para a democracia a concentração da mídia e defendendo a criação de uma nova carreira profissional para impulsionar a mídia alternativa/comunitária, a do Técnico em Comunicação Comunitária.







