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A PARTICIPAÇÃO FEMININA NOS JORNAIS
Carlos Arthur Pitombeira
A participação feminina no jornalismo brasileiro ocorreu em 1852 com a edição do Jornal das Senhoras dedicado somente às mulheres que, àquela época, começavam a viver novas experiências forados padrões rígidos predominantes na sociedade durante o período do Brasil colônia.
Esse modelo de jornalismo caricato, a imprensa do humor, que faz rir e pensar,ganhou força e logo se seguiram novas publicações do gênero: Bom Tempo, Correio das Damas, Jornal das Moças Solteiras, Jornal Para Fazer Rir e Jornal da Família, todos com destaques para a moda e o comportamento da nobreza européia, especialmente a França.
Aos poucos, uma novidade tecnológica, a litogravura, contribuiu para o surgimento de outras publicações ilustradas,quase todas de humor, como a Revista Ilustrada, Careta, Fon-Fon e O Malho e, assim, ajustando a participação feminina nas redações, muito embora a primeira contratação profissional de mulher, Eugênia Moreira, só tenha ocorrido em 1914.
Repassada na história dos 200 anos da nossa imprensa mostra que desde 1837 a modernização dos jornais e revistas caminha, ali, lado a lado, com a caricatura e a participação da mulher. Mas essa forma de humor só passou a fazer parte oficialmente da imprensa brasileira no dia 14 de dezembro daquele ano, quando o Jornal do Commércio publicou uma charge, essa de um homem,o gaúcho Manuel de Araújo Porto Alegre, denunciando uma prática que continua atual: a propina. A primeira experiência do gênero, entretanto, ocorreria seis anos antes, no dia 25 de abril de 1831, no jornal pernambucano O Corcundão.
Populares entre os europeus, os jornais satíricos tiveram vida longa no Brasil, incomodando o poder e os poderosos, mas conscientizando e divertindo seus leitores. Muitas das revistas de humor sumiam tão rápido quanto surgiam. Se O Mosquito circulou oito anos a partir de 1869, a Comédia Social vingou apenas 12 meses. Mas também há casos surpreendentes de uma longa vida: a Revista da Semana pode ser acompanhada de 1900 a 1959; O Malho, de 1902 a 1954 e Para Todos, de 1919 a 1932.
Essas publicações marcaram época. Concorreram para que a arte do humor gráfico fosse cada vez mais próspera e fizeram da caricatura uma arma em defesa da liberdade. A Revista Ilustrada, por exemplo, foi uma poderosa aliada dos escravos e dos republicanos, sendo considerada “a bíblia da Abolição dos que não sabem ler.”
”O Amigo da Onça“, personagem do caricaturista Péricles, ajudou O Cruzeiro a liderar o mercado nacional de revistas a partir dos anos 40. O seu sucesso abriria as portas para desenhistas como Ziraldo, com suas “As Aparências Enganam” e Carlos Estevão, com “Dr.Macarra“. No Brasil pós-golpe militar de 1964 os personagens famosos foram “Fradim” e “Bode Orenala“, criações de Henfil, e “Rebordosa“, de Angeli.
Mas foram as mulheres que tiveram participação efetiva nesse jornalismo de caricaturas. Elas não se contentavam somente com aquelas publicações destinadas ao sexo feminino e buscavam espaço também nos jornais. As primeiras cartunistas que surgiram em uma arte até hoje dominada pelos homens foram Hilde e Nair de Teffé. Hilde, de nacionalidade alemã, foi cartunista política no jornal O Estado de São Paulo. Nair foi revelada nas páginas da revista Fon-Fon. Muito ousada, de pensamento liberal e independente nas suas ações dava ao traço de seus desenhos a marca de sua personalidade. Acabou casando com o presidente Hermes da Fonseca. Em uma reunião ministerial apresentou-se com um vestido cuja barra exibia divertidas caricaturas de todos os ministros do governo do seu marido, o que foi considerado um escândalo por grande parte da sociedade.





