Educação
A CARICATURA E A PARTICIPAÇÃO FEMININA
NA MODERNIZAÇÃO DOS JORNAIS
Foi no jornal de humor Corcundão, circulando em Recife, no estado de Pernambuco, que teve início em 1831 a modernização visual dos jornais brasileiros. Ali foram feitas as primeiras experiências de jornais xilografados ilustrados. Somente em 1844 a revista Lanterna Mágica impôs sua qualidade gráfica apresentando aos seus leitores caricaturas impressas pelo processo de litogravura(a gravura sobre placas de alumínio ou zinco).
Em 1852 ocorreria a participação feminina no jornalismo brasileiro com a edição do Jornal das Senhoras dedicado somente às mulheres que, àquela época, começavam a viver novas experiências fora dos padrões rígidos predominantes na sociedade durante o período do Brasil colônia.
Esse modelo de jornalismo caricato, a imprensa do humor, que faz rir e pensar, ganhou força e logo se seguiram novas publicações do gênero: Bom Tempo, Correio das Damas, Jornal das Moças Solteiras, Jornal Para Fazer Rir e Jornal da Família, todos com destaques para a moda e o comportamento da nobreza européia, especialmente a França.
Foi aos poucos que a novidade tecnológica imposta pela litogravura favoreceu o surgimento de outras publicações ilustradas, quase todas de humor, como a Revista Ilustrada, Careta, Fon-Fon e O Malho e, assim, ajustando-se a participação feminina nas redações, muito embora a primeira contratação profissional de mulher, Eugênia Moreira, só tenha ocorrido em 1914.
Ângelo Agostini foi o grande mestre desse gênero humorístico intimamente identificado com a modernização de nossa imprensa iniciada há 177 anos. Ele teve entre seus seguidores figuras ilustres como Raul Pederneiras, J.Carlos e Álvaro Belmonte, só para citar alguns.
Uma repassada na história dos 200 anos da nossa imprensa mostra que desde 1837 a modernização dos jornais e revistas caminha, ali, lado a lado, com a caricatura. Mas essa forma de humor só passou a fazer parte oficialmente da imprensa brasileira no dia 14 de dezembro daquele ano, quando o Jornal do Commércio publicou uma charge do gaúcho Manuel de Araújo Porto Alegre denunciando uma prática que continua atual: a propina. A primeira experiência do gênero, entretanto,ocorreria seis anos antes, no dia 25 de abril de 1831, no jornal pernambucano O Corcund
Populares entre os europeus, os jornais satíricos tiveram vida longa no Brasil, incomodando o poder e os poderosos, mas conscientizando e divertindo seus leitores. Muitas das revistas de humor sumiam tão rápido quanto surgiam. Se O Mosquito circulou oito anos a partir de 1869, a Comédia Social vingou apenas 12 meses. Mas também há casos surpreendentes de uma longa vida: a Revista da Semana pode ser acompanhada de 1900 a 1959,O Malho, de 1902 a 1954 e Para Todos, de 1919 a 1932.
Essas publicações marcaram época. Concorreram para que a arte do humor gráfico fosse cada vez mais próspera e fizeram da caricatura uma arma em defesa da liberdade. A Revista Ilustrada, por exemplo, foi uma poderosa aliada dos escravos e dos republicanos,sendo considerada “a bíblia da Abolição dos que não sabem ler.”
O “Amigo da Onça”, personagem do caricaturista Péricles, ajudou O Cruzeiro a liderar o mercado nacional de revistas a partir dos anos 40. O seu sucesso abriria as portas para desenhistas como Ziraldo, com suas “As Aparências Enganam” e Carlos Estevão, com “Dr.Macarra”. No Brasil pós-golpe militar de 1964 os personagens famosos foram “Fradim” e “Bode Orenala”, criações de Henfil, e “Rebordosa”, de Angeli.
As mulheres também tiveram participação efetiva nesse jornalismo de caricaturas. Elas não se contentavam somente com aquelas destinadas ao sexo feminino e buscavam espaço nos jornais. As primeiras cartunistas que surgiram em uma arte até hoje dominada pelos homens foram Hilde e Nair de Teffé. Hilde, de nacionalidade alemã, foi cartunista política no jornal O Estado de São Paulo. Nair foi revelada nas páginas da revista Fon-Fon. Muito ousada, de pensamento liberal e independente nas suas ações dava ao traço de seus desenhos a marca de sua personalidade. Acabou casando com o presidente Hermes da Fonseca. Em uma reunião ministerial apresentou-se com um vestido cuja barra exibia divertidas caricaturas de todos os ministros do governo do seu marido, o que foi considerado um escândalo por grande parte da sociedade.
O grande impacto na modernização visual dos jornais, entretanto, ficaria por conta da fotografia. As primeiras experiências fotográficas só chegariam ao Brasil em 1840 e de forma isolada no jornal Daguerrotyco
O uso regular de fotos nos jornais brasileiros foi bastante demorado, ocorrendo somente a partir de 1900. Levou quase um século depois do surgimento do Correio Brasiliense, em junho de 1808. O Jornal do Brasil foi quem montou a primeira clicheria de imprensa diária, passando a publicar suas fotografias regularmente a partir de 1904.
A ilustração fotográfica e, conseqüentemente, seus autores foram ganhando tanta importância, principalmente na vida das publicações impressas, que hoje a Lei do Direito Autoral garante esse direito ao autor de obras fotográficas e seus herdeiros. De acordo com o Artigo 79 da lei 9.610 (19.02.1998), o fotógrafo pode até renunciar à remuneração a que tem direito pela divulgação da foto, mas não permite que ele abra mão do crédito na fotografia, o registro do seu nome como autor da obra.
E assim, etapa por etapa, a modernização dos jornais e revistas foi ocorrendo ao longo dos anos: xilogravura, litogravura, fotografia…
Chegava a hora dos ajustes para que as notícias internacionais pudessem ser recebidas por telegramas. Antes, elas só chegavam por cartas enviadas por amigos ou parentes que moravam ou estavam em viagem pelo exterior. Isso ocorreria logo após a inauguração em 1874, no Rio de Janeiro, da sucursal da Agência Telegráfica Americana. Foi o Jornal do Commércio quem publicou os primeiros telegramas internacionais. Nascia ali a profissionalização da Editoria Internacional.





