Domingo 05 de Setembro de 2010


  • Realidade

    As emissoras de Tv recebem por 15 anos a concessão para uso do expectro de frequências por onde se transmitem os sinais. As rádios, por 10 anos. Durante todo esse periodo os detentores das concessões não prestam contas a ninguém sobre o que fazem delas.
  • Em Foco

    A legislação atual é confusa e conflitante sobre as questões da mídia, afetando principalmente os pequenos jornais e as rádios comunitárias. As dúvidas vão desde uma simples declaração do imposto de renda da empresa até a lei que regula o estágio. Muita gente ainda não sabe, mas acabou a expressão "Jornalista Colaborador". Desde o ano de 2005 o que o Ministério do Trabalho reconhece é o " Colaborador de Jornal".
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Cultura

QUE TV NÓS QUEREMOS?

               O Brasil precisa definir como deve ser a relação de sua sociedade com a informação e a qualidade da programação de sua TV. E o melhor caminho é seguir o exemplo da Inglaterra, Alemanha, França e Canadá que adotam Conselhos de Representantes da sociedade eleitos para exercer o controle externo sobre a política de radiodifusão e telecomunicações no país. Afinal, quem deve definir os padrões éticos da programação que entra sem pedir licença na nossa casa?
               Com a qualidade da programação de rádio e televisão sendo controlada pela sociedade seriam bem maiores as possibilidades de se promover a arte, a cultura, a educação e a informação. Os Conselhos de Representantes poderiam acolher melhor a idéia das Rádios Comunitárias abrindo novas perspectivas nas áreas da educação e informação do povo.
               Na Europa e nos Estados Unidos da América do Norte, nos países do primeiro mundo, em geral, o conteúdo é muito mais importante do que tecnologia e mercado.Uma das variáveis equacionadas pela pela lei de regulação norte-americana é o limite da audiência nacional das emissoras. Se uma televisão local ultrapassar o limite de audiência estipulado está prevista a abertura de concorrência pública para o credenciamento de novos concessionários visando equilibrar o mercado.
               Na França, Itália e no Reino Unido, por exemplo, dois princípios fundamentais da democracia liberal são respeitados: a pluralidade e a diversidade nas comunicações. A primeira significa garantia de competição ou a ausência de oligopólios e monopólios, além de provisões legais que proibam um mesmo proprietário controlar- no mesmo mercado- meios de comunicação distintos, por exemplo, jornal e televisão ou rádio. Já a diversidade quer dizer a presença na mídia de conteúdo que expresse as muitas opiniões da sociedade.
               O modelo de concentração vertical adotado pela televisão brasileira, onde se procura integrar as diferentes etapas da cadeia de produção e distribuição, é cruel, pois um único grupo controla desde os vários gêneros de programas até a sua veiculação, comercialização e distribuição. Nas comunicações, poucos proprietários, além de significarem menos concorrência, também significam menos diversidade e conteúdo, ou a possibilidade de restrições - explícitas ou implícitas, diretas ou indiretas- à livre manifestação do pensamento. A concentração da propriedade nas comunicações coloca em risco os próprios fundamentos da democracia representativa.
               Por conta da briga pela audiência, na programação da Tv comercial disponibilizada para os brasileiros vale tudo a partir das 18 horas. Na telinha tem atrizes passeando de calcinha, atores desfilando de tanguinhas e exibindo-se quase que completamente nus quando focalizados pelas costas. Beijos sensuais e gemidos a todo instante é o que não falta . Há apelos a prostituição nas cenas em que se dá destaque ao estilo de vida das garotas de programa. E ainda há uma seqüência de atores que se despem a todo instante ou apresentam seus personagens no banho ou agarrados sobre uma cama, simulando uma relação sexual.Esta é a realidade: pais, filhos, avós, tios e vizinhos, na sala, uns mais à vontade, outros morrendo de vergonha.
               Se as pesquisas indicam que as crianças passam atualmente 50% mais tempo vendo Tv do que fazendo qualquer outra atividade fora da escola, elas são influenciadas sim nos seus conceitos de valores e limites. As novas regras de classificação indicativa de programas de televisão é tema para excelente debate.