Opinião
DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA
Se queremos a inclusão social, devemos considerar que dois princípios são fundamentais para isto: pluralidade e diversidade nas comunicações. Pluralidade é a garantia de competição para que não se formem oligopólios e monopólios; diversidade significa a presença na mídia de conteúdo que expresse as muitas opiniões da sociedade. É este o papel que cabe a Imprensa Alternativa: democratizar a informação no país, na maioria dos seus mais de 5.600 municípios, onde pode não haver escola, mas há pequenos jornais. A rádio comunitária está presente.
É esta mídia que queremos ver interagindo com o povo, transformando e influindo nos rumos da sociedade. Os jornais de circulação nacional e as grandes redes de rádio e televisão só se ocupam dos pequenos municípios quando neles há tragédias, escândalos ou acontecimentos oficiais relevantes. Só a mídia comunitária poderá promover o resgate da confiança nas instituições, contribuindo para a reforma das leis que, hoje, só atendem aos interesses da elite.
Os jornais alternativos livres, independente e interativos revelarão novas lideranças na comunidade. As pequenas rádios e TVs, por sua vez, promoverão os debates dos quais a sociedade brasileira quer participar, como os que dizem respeito aos escândalos que envergonham a nação. É isto que se quer discutir, o que somente será possível com a democratização da informação, e que, para se efetivar, dependerá dos jornais e rádios comunitárias das pequenas cidades, vilas e vilarejos. Os políticos de cada região terão sempre que ficar cara a cara falando sobre cada uma dessas questões. O povo passará a valorizar cada tema. E a partir daí o Brasil vai mudar.
Vivemos em um país onde 14 milhões de brasileiros são analfabetos, sendo que, dentre eles, 49% têm mais de 60 anos de idade. Os que não passaram da 8º série do ensino fundamental somam 89%; outros 4% sabem apenas escrever e ler o próprio nome, enquanto 18% nunca foram à escola. O Brasil figura entre os piores países na educação na América Latina, sendo responsável por 20% dos alunos fora da sala de aula; 36% dos jovens entre 20 e 24 anos concluiram o ensino médio, mas só 4% chegaram à universidade; 15% dos universitários nunca leram um livro; outros 22% consideram ler e escrever uma tarefa difícil. Esta é a realidade de um país cujo o povo não lê e os conceitos são impostos através do rádio e de uma TV que tem a forma de espetáculo.
Hoje, por conta da falta de sintonia entre o possível e o real é que cerca de 40.000 rádios ditas comunitárias operam de forma irregular em todo o país. Ao reduzido número de emissoras legalizadas com 25 watts, uma potência 15 mil vezes menor do que a da grande rádio comercial, não é garantida a menor assistência na produção de programas, bem como na área técnica. As TVs comunitárias, com uma programação plural, também poderiam contribuir bastante, capacitando os telespectadores à escolha diferentes.
Presente em cerca de 90% dos lares brasileiros, a televisão é o veículo de maior influência sobre as pessoas, banalizando a violência, as cenas de sexo e transmitindo para as crianças, antes mesmo de elas chegarem a escola, os primeiros ensinamentos, valores e limites. A televisão que queremos é outra, voltada para a educação, cultura e formação cidadã.
Ninguém é dono de canal de rádio ou TV. O espectro eletromagnético é uma propriedade do governo, um bem de todos os brasileiros. O empresariado do setor, portanto, não pode confundir sua atuação enquanto concessionário desse serviço público, como se dele fosse dono absoluto.