História
DOM PEDRO I E DIVERSOS PSEUDÔNIMOS
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Dom Pedro I foi um craque na arte de usar pseudônimos. Muitos talvez não saibam, mas o Imperador foi, entre outras coisas, jornalista. E bastante atuante. Várias vezes publicou artigos em jornais usando os mais diversos pseudônimos: ” O Inimigo dos Marotos“, ” O Espreita”, ” O Filantropo”, ” Piolho Viajante”, Simplício Maria das Necessidades,” Sacristão da Frequezia de São João de Itabaraí “… e muitos outros.
Dom Pedro I escrevia artigos inflamados. E cruéis arrasando seus adversários sem que estes pudessem supor quem era o autor. Coube a ele, ainda enquanto Príncipe Regente, iniciar no Rio de Janeiro a aproximação do governo com os primeiros jornais ali fundados e que tanta importância tiveram na preparação do movimento de opinião que resultou na separação dos reinos de Portugal e Brasil, na nossa independência e a instauração do Império.
A partir de 1822 passou a ser dos mais ativos colaboradores dos jornais cariocas, sempre, é claro, disfarçando -se sob algum de seus diversos pseudônimos.
Além de defensor da soberania brasileira, Dom Pedro I também foi um precursor da extinção do tráfico de escravos e da própria abolição da escravatura, como prova uma carta do “Filantropo” ao jornal O Espelho, de 30 de maio de 1823:
“Poucas pessoas ignorarão que a escravatura é o cancro que rói o Brasil.;posto isto, é mister extingui-la(…) Dir-me -ão que na há suficientes trabalhadores; é verdade que não há . Quando eu trato abolição da escravatura, não é da abolição direta, quer dizer, da proibição da importação de mais escravos dentro de certo tempo. (…). Assim se conseguirá a pouco e pouco a cura do cancro que rói. Brasil”.
Os artigos do Príncipe - Regente abordaram os mais diferentes temas. Encarnando o “Anti Boca” protestou contra o que julgava ser injustiça ou excessiva benevolência dos magistrados; como “Marinheiro Velho” se opôs aos desmandos que se verificavam nos serviços públicos; e como “Açoite dos Patifes” criticou certos deputados.
Dom Pedro I sabia a importância na formação da opinião pública. Jornalista veterano foi dos mais ativos na época, enquanto até agora dos menos conhecidos de nossa história.
A Imprensa Alternativa/ Comunitária, na qual o Príncipe Regente teve papel relevante, marca também a trajetória dos antigos anúncios, as raízes daquilo que poderíamos classificar como a sociedade de consumo no Brasil.
O primeiro anúncio publicado na imprensa brasileira, na Gazeta do Rio de Janeiro, em 1808, tinha o seguinte texto:
“Quem quiser comprar uma morada de casas e sobrado, com frente para Santa Rita, fale com a Ana Joaquim da Silva, que mora nas mesmas casas, ou com Capitão Francisco Pereira de Mesquita, que tem ordem para as vender”.
Foi em 1809 que apareceu o primeiro anúncio de escravos, que continuariam a ser publicados até a Abolição da Escravatura, descrevendo os negros colocados à venda ou os fugidos. Alguns deles chegavam aos detalhes : ” rosto grande e redondo; com dois talhos, um por cima da sobrancelha esquerda e outro nas costa; mãos grandes dedos grossos e curtos, pés grandes e corpo grosso.” Acrescentavam o seu preço ou o valor da gratificação oferecida pela sua captura.
A área de propaganda ganharia novo impulso com o lançamento, em 1821, do jornal O Diário do Rio de Janeiro, apresentado como jornal de anúncios. Outros dois voltados para a área publicitária seriam lançados em 1824, também no Rio de Janeiro, O Expectador Brasileiro e o Almanaque dos Negociantes, ambos editados por Pierre Peancher e que seriam fechados três anos mais tarde para surgimento do Jornal do Comércio, “dedicado aos negociantes”. Além de muitos anúncios, trazia notícias marítimas, avisos de leilões, etc…
Com o progressivo desenvolvimento continuado das atividades comerciais, a publicidade ganharia cada vez mais espaço, diversificando - se em classificados de “artigos femininos vindos da Europa, vasos para jardins, urinóis, copiadores de música, colchões, orações, livros, etc…
Ricardo Ramos, no seu interessante trabalho do “Reclame à Comunicação” conta que foi a partir de 1860 que começaram a aparecer os primeiros cartazes, painéis e placas. Pouco depois surgiram os almanaques. Se as formas de propaganda começavam a variar, o sentido das mensagens continuava o mesmo: o anunciante não argumentava, enumerava. Os anúncios não tinham títulos; faziam referência direta ao produto: fogão, fazenda, charutos, peixe… Após o nome da mercadoria, do anunciante e, às vezes, o da casa, os títulos mais freqüentes eram: Atenção! Muita Atenção! Ou, então : Aviso.
Lojas, hotéis e os fabricantes de remédios eram os clientes mais comuns. Apareceriam também anúncios de artigos importados, como aquele que a loja La Sison publicou no Diário Popular de 16 de Julho de 1886: “Acaba de receber um grande sortimento de fazendas novidades vindas directamenete de Pariz.”
O processo criativo foi se desenvolvendo também nos antigos anúncios e coube às revistas Maquetrefe e O Mosquito, em 1875, inovarem com os primeiros anúncios ilustrados, desencadeando um processo que no final do século tornaria a publicidade ilustrada a grande “coqueluche”.
Em maio de 1896 o jornal A Bruxa chamaria atenção estampando em sua última página sete anúncios de vários tamanhos, textos e desenhos de Julião Machado, caricaturista que muito contribuiria para o desenvolvimento de nossa publicidade . Mas foi no jornal O Mercúrio, com circulação trimestral e depois diário, inicialmente destinado apenas à propaganda comercial, que se iniciaria “um movimento pioneiro no campo da publicidade gráfica no Brasil”.
. Jornalista, Carlos Arthur Pitombeira é presidente do IPEIA - Instituto de Pesquisas e Estudos da Imprensa Alternativa.





